
Texto copiado do encarte do LP “Sinal de Amor” da cantora e compositora Diana Pequeno
Era uma vez um periquito lindo, encantado. E tinha no canto um som celestial e, nas penas, uma cor indefinível, quase transparente. Uma cor de sonho.
De janelinha em janelinha ia o periquito cantando. E as pessoas, fascinadas pelo seu canto, ficavam a sonhar com a Lua.
Mas o periquito tinha na Lua sua eterna companheira, uma misteriosa amiga, da qual ele queria receber sua luz, aprender mais coisas.
Um dia, com as árvores ainda orvalhadas, o periquito encontrou a nuvem Cintila e pediu ajuda:
- Eu quero ir para a lua, disse ele.
Cintila ficou assustada e pediu que ele continuasse na Terra.
Só que o periquito não desistiu. E saiu voando pelo céu, pousando de nuvem em nuvem, perguntado como poderia ir à Lua. Pousou na Anaconda, na Florisbela (duas nuvens amigas) e elas pediram que desistisse da idéia.
- Seu lugar é na Terra, periquito, elas disseram.
Mesmo assim pediram que ele procurasse a Dona Ursa Menor, uma estrela sábia do universo, sempre muito sonolenta.
- Esqueça, meu periquito, disse Dona Ursa Menor, bocejando.
Mas o periquito não desistia. Assim, Dona Ursa Menor, ainda bocejando, disse que procurasse o Cruzeiro do Sul, uma casinha com várias estrelas, senhoras sábias do universo.
...e o periquito voou até o Cruzeiro do Sul, numa viagem muito longa. E foi a sua estrela do norte, a mais distante de todas. Depois de contar o que queria, ela respondeu:
- O brilho da Lua não precisa ser visto de perto.
E não ensinou o caminho. Nem as estrelas do Este e Oeste, também quiseram dar, pelo menos, uma pista.
Foi quando a estrela Sul, vendo que o periquito não iria desistir, resolveu ensinar-lhe o caminho.
O periquito voou feliz, seguindo o caminho indicado pela estrela. E finalmente chegou a uma Terra estranha, escura, deserta, onde nada brilhava. Só ele. Achou que estava errado, pensou que estivesse em Mercúrio ou Plutão, nunca na Lua. Correu para uma Areiazinha e perguntou:
- Areiazinha, você é da Lua?
Ela respondeu que sim, era da Lua. E uma pedrinha, também muito branca disse:
- Eu também sou uma pedra da Lua!
O periquito não se conformou. Ele não sabia onde estava o brilho da Lua. “A Lua não brilha?”, perguntou a si próprio. “Claro que brilha, claro”. Mas a pedra e a areiazinha eram opacas. Não eram brilhantes.
Assim chegou a noite, com o periquito, muito solitário e triste, andando cabisbaixo. O silêncio era imenso, não havia nenhum ruído. Foi quando encontrou uma árvore, também solitária, e que tinha nos galhos um pássaro cujo canto se parecia com o vento.
E o periquito enxergou a si próprio, vendo sua imagem na Terra, cantando em suas janelinhas.
A árvore, silenciosa, disse:
- Não se entristeça, periquitinho. Você apenas viu que o brilho da Lua não precisa ser tocado ou visto de perto. Ele somente existe.
A árvore tossiu. Depois, continuou:
- A realidade é sonho. E tu és um mensageiro do sonho. É teu canto mais tua cor que transporta as pessoas até a Lua, pela emoção.
E o periquito percebeu que ele mesmo brilhava muito, mesmo não estando na Lua. Bastava cantar apenas. Assim, resolveu voltar pra Terra, pensando em cantar novamente nas janelinhas.
E assim voou de volta, deixando um rastro brilhante, cor de Lua.
Diana Pequeno