
No longo quintal da casa,
Transcorreu-se minha infância:
Entre as poucas árvores, via uma floresta,
Palco de batalhas, sem nenhuma ganância.
De noite, visagens olhando pela fresta.
No cantar do sapo, um grito de horror;
Latido dos cães, calafrio e suor na testa.
Daquela imensa tranqüilidade
Dos mal-olhados e guizos
Dos filmes que o "Seu Manuel" (²) nos trazia do “Paraíso” (³)?
Num grande engarrafamento, subindo e descendo a rua,
Cadeiras em círculos em torno do rádio
E todas aquelas meninas namorando a lua.
Alberdan Batista
(¹) Nome da rua em que nasci. Nesta época o Bairro da Pedreira era subúrbio de Belém, hoje é quase centro. A Itororó, hoje, se chama Enéas Pinheiro. Tudo mudou!
(²) “Seu Manoel” era um vizinho, cobrador de ônibus. Uma memória extraordinária para ver e contar filmes. Sempre nos reuníamos para “sessão” de cinema. “Vi” muitos filmes desse jeito.
(³) Cine “Paraíso” era um dos cinemas do Bairro da Pedreira (o outro era o Cine Vitória). Um virou igreja evangélica e outro, depósito.
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