quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

ITORORÓ (¹)


No longo quintal da casa,

Transcorreu-se minha infância:

Entre as poucas árvores, via uma floresta,

Palco de batalhas, sem nenhuma ganância.


De dia, viver de brincar,

De noite, visagens olhando pela fresta.

No cantar do sapo, um grito de horror;

Latido dos cães, calafrio e suor na testa.


Quando imaginar que ia sentir saudade

Daquela imensa tranqüilidade

Dos mal-olhados e guizos

Dos filmes que o "Seu Manuel" (²) nos trazia do “Paraíso” (³)?


Latas de azeite virando carrinhos,

Num grande engarrafamento, subindo e descendo a rua,

Cadeiras em círculos em torno do rádio

E todas aquelas meninas namorando a lua.


Alberdan Batista

(¹) Nome da rua em que nasci. Nesta época o Bairro da Pedreira era subúrbio de Belém, hoje é quase centro. A Itororó, hoje, se chama Enéas Pinheiro. Tudo mudou!

(²) “Seu Manoel” era um vizinho, cobrador de ônibus. Uma memória extraordinária para ver e contar filmes. Sempre nos reuníamos para “sessão” de cinema. “Vi” muitos filmes desse jeito.

(³) Cine “Paraíso” era um dos cinemas do Bairro da Pedreira (o outro era o Cine Vitória). Um virou igreja evangélica e outro, depósito.

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